Marktédio

Abril 10,2007

Boa tarde, estou a ligar para o [número de telefone aleatório]? Estou a ligar para uma casa particular? Como está? O meu nome é [nome do entrevistador/a, igualmente aleatório/a] e estou a ligar da marktédio, uma empresa de sondagens e estudos de mercado. Estou neste momento a realizar um estudo sobre bancos. Ficaria muito grato se o senhor me pudesse dispensar alguns minutos. Outra pessoa aí em casa, poderia estar interessada? Obrigada, muito boa tarde. F10. Recusa.

 

Boa tarde, estou a ligar para o [número de telefone aleatório]? Estou a ligar para uma casa particular? Como está? O meu nome é [nome do entrevistador/a, igualmente aleatório] e estou a ligar da marktédio, uma empresa de sondagens e estudos de mercado. Estou neste momento a realizar um estudo sobre bancos. Ficaria muito grato se algum senhor aí em casa dos 15 aos 65 me pudesse dispensar alguns minutos. Existe algum homem na sua casa, minha senhora. Aí, ele morreu. Lamento muito, minha senhora. Não chore, minha senhora. O que interessa é as boas lembranças que ele lhe deixou. Olhe, infelizmente vou ter que desligar. Boa tarde. Não chore minha senhora. Com licença. F10. Fora de cotas.

 

Boa tarde, estou a ligar para o [número de telefone aleatório]? Estou a ligar para uma casa particular? Como está? O meu nome é [nome do entrevistador/a, igualmente aleatório] e estou a ligar da marktédio, uma empresa de sondagens e estudos de mercado. Estou neste momento a realizar um estudo sobre bancos. Ficaria muito grato, se o senhor me pudesse dispensar alguns minutos. Eu não lhe vou oferecer nada. É apenas para saber a sua opinião. F10. Desligou o telefone [Cabrão de merda].

 

Boa tarde, estou a ligar para o [número de telefone aleatório]? Estou a ligar para uma casa particular? Como está? O meu nome é [nome do entrevistador/a, igualmente aleatório] e estou a ligar da marktédio, uma empresa de sondagens e estudos de mercado. Estou neste momento a realizar um estudo sobre bancos. Ficaria muito grato se algum senhor aí em casa dos 15 aos 65 me pudesse dispensar alguns minutos. Existe algum homem na sua casa, minha senhora. Está para fora a trabalhar, é isso? E a senhora está entre os 25 e os 34 anos? Gostaria de colaborar? Mesmo estando desempregada poderá participar. Este inquérito é para todas as pessoas. A senhora tem alguma relação com os bancos? Está a pagar um crédito à habitação e tem uma carteira de acções no BPI [história verídica]. Ok. Vamos a isso. 
Emiliano

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How are you?

Abril 10,2007

 

Fazer assim o percurso entre a casa e o trabalho. Entrar no metro, sair do metro. Entrar no metro, sair do metro. Publicidade, notícias, publicidade. Abrir a porta com o passe dentro da carteira. Sentado sem olhar para ninguém. Filmado para minha própria segurança. Publicidade, notícias, publicidade.

Chegar ao trabalho e fazer o log in. Colocar o head- set e ler o script. Cumprir o tempo de handling enquanto espero pelo break.

Abrir a aplicação, fechar a aplicação. Boa noite, como está? Estou a falar com a Srª Dª…?

 

Deseja então alterar o seu tarifário? Configurar o seu equipamento? Saber o preço do novo modelo? Como aderir à campanha/promoção de natal? O carregamento ainda não foi processado?

Trata-se de uma dificuldade informática. Tem um número de telefone alternativo para o qual eu possa ligar? O prazo de adesão terminou. 449€+ IVA.

Flexível, disponível, atencioso, polido e com um sorriso na voz, o assistente de apoio ao cliente está lá para o que der e vier. A cara da empresa, a voz da empresa, a  ferramenta humana da empresa.

Tempos de trabalho e desempenho constantemente vigiados e controlados, chamadas gravadas para avaliação, nome disponível para reclamações.

Férias quando for possível, intervalo quando for possível, prémios quando for possível, alteração de folgas quando for possível, novo horário quando for possível, ajuda do supervisor quando for possível. 

Direitos? Sindicatos? Inspecção do trabalho? Legislação do trabalho?

Quando for possível.

Falar da precariedade na primeira pessoa é um exercício doloroso. Não era propriamente isto que eu esperava para a minha vida.  Olhando à minha volta parece evidente que não sou o único.

Odeio este emprego e sei que não vou arranjar nada melhor. Odeio este trajecto e sei que não existe outro. Odeio a minha situação e sei que há milhares de pessoas a fazer fila para me substituir.

Há quem lhe chame vida e encolha os ombros. Eu chamo-lhe precariedade e rebelo-me.

RN

GENTE QUE FERVE

Abril 10,2007

Nasceu no Porto o FERVE: Fartos/as d’Estes Recibos Verdes. Trata-se de um grupo de trabalho que pretende denunciar as situações de ilegalidade de utilização dos “recibos verdes” e promover um espaço de debate para que se possa alterar esta situação profissional de milhares de pessoas em Portugal. Junta-te a nós nesta luta! Da-nos a conhecer os casos que conheças! Vamos fazer barulho juntos!

Defina ‘McJob’

Abril 9,2007

mcdonalds.jpg

Está classificado no M, como McDonalds. Mas é um M que o gigante dos hamburgers tem dificuldade em engolir. A McDonalds quer fazer desaparecer a palavra ‘McJob’ do dicionário. O rei do ‘fast-food’ não gosta da definição do Oxford English Dictionary. Um “McJob”, explica esta obra, é um “trabalho mal pago, pouco estimulante, que oferece poucas perspectivas, em especial um emprego criado para o desenvolvimento do sector dos serviços”.

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PRECARIEDADE ROUBA UM QUARTO DO SALÁRIO

Abril 8,2007

Os trabalhadores contratados a termo recebem, em média, salários inferiores em 26% aos dos seus colegas contratados sem termo, revelam os dados mais recentes da Direcção-Geral de Estudos, Estatísticas e Planeamento (DGEEP), relativos a 2005. Em média, os empregados com contratos com duração limitada, ou com outros termos limitativos em matéria de caducidade, receberam em média 3,39 euros naquele ano, enquanto os restantes auferiram um vencimento base (excluindo subsídios de férias, Natal, almoço e todo o tipo de prémios remuneratórios) de 4,6 euros, ou seja 36% superior. Assim, além da insegurança laboral, os contratos precários têm ainda reflexos concretos nos ganhos dos trabalhadores.

MAYDAY!! PONTO DA SITUAÇÃO

Abril 5,2007

A reunião MayDay de 3 de Abril, no Grupo Desportivo da Mouraria tomou decisões úteis. Aqui vão elas.  

:: trajecto do 1º Maio :: a parada MayDay começa às 13h com um pic-nic na Alameda. A Crew Hassan ofereceu-se para garantir refeições baratas e práticas. Dali, seguimos cerca das 15h pela Av. Guerra Junqueiro para a Praça de Londres (Ministério do Trabalho) e até à Praça de Alvalade, onde encontraremos a manifestação da CGTP. Na cauda da manif sindical, a parada MayDay vai até à Cidade Universitária, onde termina. A equipa que prepara a animação do desfile já marcou a sua reunião (ver datas em baixo). 

:: festa MayDay 27 Abril :: Vai ver-se a possibilidade de a realizar na Karnart. A ideia é juntar o povo na sexta-feira anterior à parada. Temos que pensar e discutir os conteúdos da iniciativa (a mailing list já funciona, venham ideias). 

:: divulgação :: formou-se uma equipa para fazer propostas de cartazes e panfletos para a festa de 27 Abril e para o 1ºMaio. No domingo (filme na Crew Hassan), quem aparecer pode pronunciar-se sobre os materiais de divulgação. Haverá também um plano de distribuições – call centers, centros comerciais, Bairro Alto, etc. Os núcleos de faculdades podem fazer o mesmo e trazer encontros marcados para distribuições (o ]movE[ já o fez para cantinas de Agronomia e Pólo da Ajuda). Depois será tudo enviado pela mailing list, com convite à participação de tod@s

:: mailing list ::  para alguém se inscrever na mailing list já não é necessário qualquer convite. Basta ir a http://groups.google.com/group/maydaypt/subscribe e inserir o e-mail. Para escrever à lista basta fazer reply/escrever aqui para o maydaypt@googlegroups.com. Vai ser criada no blogue uma ligação permanente para convidar quem visita a inscrever-se. 

:: contactos com associações :: ofereceram-se responsáveis por convidar mais associações (imigrantes, culturais…) e contactar grupos de outras cidades que queiram participar. 

AGENDA MAYDAY

Domingo, 8 Abril, 21:30h :: Crew Hassan (Rua das Portas de Sto. Antão, 159 1º – rua do Coliseu) – projecção do filme “O Evangelho Segundo Precário”

Quarta, 11 Abril, 18:30h :: Bar da Esplanada da Faculdade de Letras (Cidade Universitária) :: reunião do grupo que prepara a intervenção política/visual/sonora/… da manifestação

8 a 24 Abril :: divulgação do MayDay (distribuições de panfletos)

Terça, 24 Abril :: Largo Carmo, 18h-2h :: MayDay partilha com Panteras Rosa uma banca de divulgação no arraial do 25 Abril

Quarta, 25 Abril :: Manif. Marquês de Pombal – grande ocasião para vender o boletim que a Ana Feijão está a preparar (com textos originais que lhe entregaram e outros já neste blogue) – encontro em frente ao Diário de Notícias

Sexta, 27 Abril :: Festa MayDay – Na Karnart (a confirmar) 

Jogar de pretas – O meio jogo

Abril 4,2007

por Fritz

A maior crítica feita a este tipo de movimentos, que são já quase tão globais como a anti-globalização, é que só sabemos jogar de pretas. Esperamos pelas directivas europeias para as analisar minuciosamente e recorrendo à utopia e irreverência inata pintamo-las de meia dúzia de máscaras pré-fabricadas já conhecidas e odiadas por tod@s e apostamos no antagonismo difuso. Infelizmente, o antagonismo difuso ainda não passou por aqui.  

 

Jogar de pretas, por muito que possamos criticar, já valeu boas vitórias e não devem ser esquecidas. No entanto, hoje em dia, revela-se insuficiente como barreira aos avanços perpetuados por uma direita neoliberal, desprovida de valores e pudores, ajudada por uma esquerda dividida, confusa e na grande maioria, conivente. Franco Berardi num texto abaixo publicado, fala do Março francês como a abertura de uma nova fase da história social da Europa, como a revelação de que há vida para além da escravatura neoliberal. Falta apenas dizer que apesar da derrota de Villepin, na próxima final estará muito provavelmente Sarkozy ou Ségolène, de novo a jogar de brancas, de novo com os trunfos na mão, a jogar exactamente o mesmo jogo até que ganhe. Se há vida e luta, ela só acorda à força, com as barricadas já muito recuadas, assustada pelo barulho triunfante da marcha do opositor.

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Entrevista a Chainworkers

Abril 4,2007

 por Mª Cecilia Fernández

Da precariedade laboral à precariedade social 
 
O movimento operário do século XIX organizava-se em torno da fábrica através do sindicato, mas paralelamente construía “sociedades de resistência”, espaços de agregação social e apoio mútuo. A produção capitalista era entendida não só como um problema económico, mas também social. A luta contra o capitalismo significava uma luta contra as formas de vida mercantis, indo para além da reivindicação sindical e dos direitos laborais.

Actualmente, o processo de valorização capitalista incorporou como força de trabalho as capacidades cognitivas, comunicativas e afectivas do humano. Uma das dimensões mais dinâmicas da produção social é um tipo de força de trabalho imaterial. Operadores de informática, desenhadores de páginas web, publicitários, artistas, jornalistas, são parte da actual composição social do trabalho. As novas formas de trabalho, no marco da produção pós-fordista, introduziram a discussão relativa às formas de organização social que podem fazer frente à situação de flexibilidade, mobilidade e precariedade laboral, mas também às formas de vida que produzem as relações sociais capitalistas. 
Na Itália, o colectivo milanês Chainworkers tem realizado, há já vários anos, um trabalho sobre estes aspectos da precariedade laboral e social. Os Chainworkers começaram por dirigir-se aos empregados das cadeias comerciais, o que significou, por um lado, uma aproximação à figura precária emblemática dos anos noventa: a empregada estilo McDonald’s, sem qualquer direito ou representação sindical, que não se encara a si própria como trabalhadora, no sentido clássico; mas também, por outro lado, o colectivo abordava estratégias de comunicação inovadoras, com o objectivo não só de informar sobre os direitos laborais em situação de precariedade, mas também de  tentar criar formas de agregação e conflito social, para além da sindicalização.
 

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The Precarious-Euro Insurrection por Franco Berardi (Bifo)

Abril 2,2007

 

A new European cycle

The fight of the French precarious cognitive workers can be the beginning of a new political and cultural cycle in Europe. They occupied the schools with the conscience of being together, students, cognitive and precarious workers in the fluid cycle of recomposing capital. And that represents a new fact, which was never expressed, with such clearness, in recent student struggles.

That this be quite clear : the French precarious cognitive workers raise a question which is directly European, even if it is true, as Villepin says, that the CPE is much better than the slave regulations which govern other countries, above all Italy. The Biaggi law and the Treu “package” are a hundred times worse than the CPE that the French students are fighting.

Thus it is clear that if they win, the question will be posed immediately in each European country.

If the French students defeat the CPE, this will certainly not mean that they will have beaten precariousness, this will only mean that they will have pushed back the legal formalization of precarity. And thus, they will have opened a new phase in the social history of Europe. A phase of struggle and social invention which, beyond neoliberal slavery, will make it possible to formulate new rules, new criteria of regulation of the labor-capital relation.

 

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AUTO-ORGANIZAÇÃO DA INTELIGÊNCIA COLETIVA GLOBAL – Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)

Abril 2,2007

 

 Este texto está disponível em Rizoma.net

Durante 20 anos, o conformismo liberalista pareceu inatacável. Como uma verdadeira forma de terrorismo cultural, não admitia alternativas éticas nem políticas. Quem não aceitava a superioridade da lei do lucro era considerado um destroço do passado. Veio a revolta de Seattle, sinal do esfacelamento daquele conformismo…Subitamente foi posta em discussão a ditadura da economia em cada dimensão discursiva imaginária existencial.
 
Afinal, como amadureceu essa ruptura, que dinâmica social a tornou possível?
 

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